Fecho os olhos. Encontro-me ali parada, sem reacção alguma às batidas violentas do meu coração. A minha mente parou, mas a minha alma continua numa velocidade feroz. Não havia ninguém ali, para me olhar, ou para comentar o que estaria eu ali a fazer. Senti-me então mais livre, por estar sozinha – afinal ultimamente é só como tenho estado -, senti-me talvez negativa, mas segura. Não precisei de mais nada, apenas de mim. Já fazia tempo que me queria encontrar de novo, e para mim nada melhor do que estar ali, de olhos fechados não só fisicamente, mas também de olhos fechados para o mundo. Era eu e eu. Os outros mesmo que ali estivessem, iriam fazer parte de uma incógnita que não me cabia no pensamento. Tal como o medo que sentira de olhos abertos, ali não entrara. Ali não existiam factos superficiais, mas reais, aqueles que procurara à muito tempo. Estavam finalmente de mãos dadas comigo. Eram as respostas às minhas perguntas, completamente. Tudo o que eu viria ali, resumia-se a bons momentos, aqueles que não moravam na minha cabeça desde que instalei em mim um desequilíbrio total. De uma maneira abundante da vida, questionei-me se alguma vez me iria olhar com os mesmos olhos de à uns anos atrás, e todos aqueles factos diziam-me que sim, diziam-me que o mundo não é preto, nem cinzento, somos nós quem o temos de pintar à nossa maneira, e se eu me sentira mal comigo mesma, então o meu racionalismo estava de todo errado. Eram respostas agradáveis e ao mesmo tempo motivadoras. Senti-me grande por dentro. E isso sim era um privilégio que à muito não tinha a oportunidade de sentir. Mas o medo espiava-me, eu sentia-o por detrás das minhas costas. Traiçoeiro e ingénuo como sempre. Ele estava lá, mas eu senti que a minha alma não o queria, tal como eu. E quando a força é muita mais fácil é de se lutar contra o que não se quer. E ainda ali de olhos fechados, consegui esconder o medo, analisar os factos que na verdade eram parte de mim, e abraçar o mundo que me iria surgir assim que os meus olhos se abrissem.
sexta-feira
Foi uma boa noite ontem. Obrigada
Talvez não devesse pensar tanto, talvez se fosse cada vez mais positiva tudo o que foi já tivesse voltado à mais tempo. Mas o medo arrepia-me.
quarta-feira
Desconhecido
Deixei de saber quais os meus limites, quais as descobertas que um dia fiz e que hoje não estão presentes, deixei de saber o nome das pessoas que mais amo, e de saber na verdade o que estou aqui a fazer. Em todos os meus limites eu impunha regras, banais, curtas e sem grande problema de serem cumpridas, fazia-me bem tudo aquilo em que vivia, mas hoje, hoje não sei mais onde moram, não encontro mais os limites do meu ser. Procurei nos tempos mais longínquos, nas vivências mais próximas, e até no interior da minha alma, mas de nada me serviu, contínuo sem saber quem sou.
terça-feira
Brother, i love you
São precisas varias forças para nos mantermos firmes, em pé, de cabeça erguida e ter além de tudo uma das forças essenciais, força de vontade. Essa é a que todos os dias te destaco, sublinho-a horas a fio para que me ouças e saibas que o teu mal é o que eu quero lá bem longe. Ainda que assim não me queiras ouvir, eu decidi escrever-te, pelo menos sei que lês. Não preciso de ver a tua cara ao leres todas as minhas palavras, só preciso que dentro de ti saia a pessoa que todos dias chamo de irmão. Quero que vejas que o mundo não vai acabar amanhã, e que neste momento a tua vida está por um fio. Sinto-me inútil, sabes. Gastei todas as forças que tinha para te dar, enfrentei meio mundo por ti, dei-te a mão para que não deixasses que o vento te levasse. Fiz tudo o que podia, e por vezes o que não podia. Mas a verdade é que chego à conclusão: Para quê? Desconheço totalmente a pessoa em quem te tornaste, não me consegues justificar o porquê dessa mudança, e eu não consigo fazer mais por ti. Limpei as mãos de todas as embrulhadas em que te meteste, mesmo assim não consigo sorrir para a minha própria vida. Porque tu és tu, o sangue está lá e aquele bichinho pelo teu bem-estar estará sempre também. Eu sei que agora o que menos queres é que te critique, mas não sei não faze-lo, é isso que eu penso que mereces, visto que de outra maneira não estás a conseguir. Tenho tanto medo desses caminhos que segues, dessas pessoas que conheces sem conhecer, dessa vida madrasta que escolheste para ti. Tenho tanto medo de te perder e de te ver ir não pudendo de modo algum fazer alguma coisa. “Onde é que eu errei, para merecer uma injustiça tão grande destas?” Questiono-me tantas vezes, mesmo sozinha. Não adianta, porque ninguém me irá dar qualquer resposta senão tu, ou até mesmo tu não sabes o que me dizer, escondeste nesse cubículo ao qual chamamos de casa, e fechaste sem nada a dizer, sem nada a adiantar. Gostava que me abrisses a porta do teu coração, pelo menos, que me explicasses as tuas feridas e de como se encontra a tua alma, porque nela eu sinceramente deixei de conseguir tocar. Gostava que fosses para mim o que eras, que me abraçasses com tanta força como quando eu era pequenina, lembraste? Eu preciso de ti aqui, do meu lado, estou parada no tempo, enquanto deveria estar a trocar sorrisos contigo, e a discutir sobre músicas, ou outro assunto nosso. Gostava de te voltar a ter, inteiro, só para mim, metade por metade não me chega.
Os teus olhos ajudam-me
Contive o meu medo e fui, fui à procura do teu conforto, da tua sabedoria, e da tua presença. Tive medo, confesso-te, porque não sou mais nem menos que ninguém se o tiver. Tive medo não só da tua reacção ao teres-me ao teu lado, como também tive medo de mim própria, de não me controlar e querer deixar-te à força toda. Penso que tudo isto provém das palavras cruéis que tantas vezes dizemos um ao outro, dialogando de uma maneira mais severa. A forma que nos comportamos em situações de um nível mais importante, incomoda-me. Mesmo que não to diga, tu sabe-lo. E mesmo com a garganta apertada, cheia de nós por te sentir mal com a minha presença, eu ganhei coragem e olhei-te nos olhos, fui ao teu encontro e tentei explicar-te que o mundo não é pintado como queremos, ele já nasceu pintado, ele já era assim antes de existirmos, agora só temos que aprender a vive-lo, a receber de braços abertos o melhor e o pior, mesmo que o pior nos incomode, mas não existe problemas, existem soluções. E eu estou aqui, para te ajudar a encontra-las, tal como quero que faças comigo. Temos vivências diferentes, mas nada nos impede de termos uma vida em comum. Contigo eu quero ter mais do que uma vida, quero viver todos os meus sonhos, pisar o risco, atingir o inatingível, ficar presa a ti sem ouvir opiniões e no fim sorrir-te sempre, como forma de apoio e de originalidade para te dizer que nada está perdido, tendo-te ao meu lado. Vês amor? Tu ainda sabes como me fazer feliz, sempre soubeste. Todas essas tuas ideias, são pontos negativos que tu imaginas para te deitar abaixo. Farei o que tiver ao meu alcance para os afastar de ti. Olhando-te nos olhos descobri que dentro de ti a mágoa muitas das vezes consegue habitar, consegue procurar-te e atingir-te de uma maneira muito frontal, ganhando tu medo da pessoa que és, da pessoa que te possas vir a tornar. Mas garanto-te que se eu puder sou em quem vai habitar no teu interior em vez dessas, que te abalam e te esgotam, eu irei continuar a tentar estabelecer-te um rumo diferente, um rumo a dois, e uma estrada onde só eu e tu possamos caminhar. Porque quem ama também sabe agradar, quem ama também se motiva, e eu estou cada vez mais motivada com o sabor do amor que tu me dás.
sexta-feira
quinta-feira
terça-feira
repouso mental absoluto
Estou decidida a ficar por casa, sem grandes conversas, com uma roupa qualquer mas que cheire a lavada, a fresca, e que me dê um pouco de paz. Sei que preciso de ocupar a cabeça e falar com alguém que me conheça talvez um pouco melhor do que eu, sim porque neste momento eu chego a dizer que já não sei quem sou, mas agora vou optar por me manter aqui, neste canto, que todos os dias me acolhe melhor do que ninguém, e ouve o soluçar do meu choro. Estou estranha, tenho vontades diferentes do habitual, principalmente diferentes de raparigas com a minha idade. Tenho até uma estranha forma de amar. Estou caída no meio de tantas vantagens e desvantagens, no meio de amigos e inimigos, a querer o meu bem e outros o meu mal. Posso dizer que não me conheço, mas a eles também os desconheço, digo isso com toda a minha certeza. Porque dentro de mim, o vazio está mais do que instalado, mesmo que ainda haja alguém que me dê a mão, que me segure o sorriso, e me ame como sou. Mas de que vale “eles” me amarem, se eu não me amo? Desconhecida forma de pensar esta minha, é verdade. O que é certo é que me sinto entristecida, com maneiras de estar inconvenientes e com medo de viver o dia de amanhã. Com medo de acordar amanhã e porém sentir-me presa a algo que não me deixa livre, que não me faz sentir mulher mas sim só acredita na pessoa fraca que sou. Sim, eu sei que sou fraca, mas gostava de agora ouvir alguém dizer que nem todos os fracos são vencidos, que há sempre alguma coisa que esses conseguem estabilizar uma força. Gostava disto e daquilo, sem saber bem do quê. Hoje estou assim, ou melhor à uns bons dias para cá que o meu pensar se reflecte nisto. Ao olhar-me ao espelho não me sinto eu, mas sim outra pessoa que tanto me queria ver num estado lastimável que acabou por conseguir. Não sei o meu nome, nem como vim aqui parar, muito menos o que estou aqui a fazer. Deram-me apenas a conhecer que tenho um coração, e que é ele que ainda me faz viver, e que há “ele” que mo levou, e que agora não mo traz de volta inteiro, deu-me apenas metade, a outra metade é “ele” que vai cuidar. É ele que me vai tentar levantar do poço onde eu não estou a conseguir sair.
Não é certo
Enquanto o tempo vai mudando tenho sempre a sensação que tu também mudas à medida do mesmo, tenho sempre em mente que já não sabes valorizar o que se dá o nome de “amizade”, esta que nos compunha os dias, que nos entregava de bandeja o sorriso. E o meu sempre me soube melhor quando era dado ao teu lado, quando tu me dizias que todas as angustias que sofrera um dia eras tu que lá irias estar para as mandares embora. Eras tu que me soletravas o certo e o incerto, eras tu… eras tu que ao mesmo tempo que me descobrias os traços novos do meu rosto, me aconselhavas a não caminhar sozinha, dando-te sempre a mão, porque tu estarias lá para mim. Mas agora isso mudou, tal como disse no início, o tempo ainda não está certo, tão depressa faz frio, como se descobre o sol, e tu és igual. Tu deixaste que o meu braço caísse porque tu não estavas lá para o segurar, deixaste que a minha vida fosse tão igual a tantas outras, saindo tu dela e deixando-me mais uma vez sozinha. Não é que tenha medo da solidão, mas sabe sempre bem ouvir-te chamar por mim, mesmo que me chames o nome mais esquisito, mas era vindo de ti. E isso mudava-me. Isso fazia-me acreditar que ainda estava no teu coração, e que ainda me conseguias proteger do mal que por ai anda. Eu sei que mãos protectoras e colo acolhedor só mesmo contigo. Sei que por mais pessoas que cheguem à minha vida, será sempre o teu nome que irá cair nas gotas delicadas que me escorrem dos olhos.
Eu não me canso de estar ao teu lado amor
Tenho a certeza que todos os pensamentos que agora te invadem o cérebro, não são mais nem menos que obstáculos aos quais tu vais aprender a ultrapassar. Mesmo que alguns, tenhas que o fazer sozinho, eu confio na tua força interior e na responsabilidade que tens, como cidadão. Eu sei que consegues ser mais do que aparentas aos outros, porque aos olhos deles tu podes não valer rigorosamente nada, mas aos meus tu consegues valer tudo. E será que não vês isso? Essa tua mentalidade não serve apenas para questões materiais, acredito que sirva para muito mais do que isso. E lembra-te que só nós podemos mudar de direcção, não são “eles” que vão mudar por nós.
Melhores dias virão meu amor
Hoje prefiro não dizer nada, fico quieta à espera de melhores dias, não só para ti, como para nós… Nós que tanto queremos viver mais do que de momentos, nós que somos donos de uma vida a dois - vida essa que assumimos à precisamente 6 meses -, nós que somos tudo e somos nada. Tu que és a saudade e eu o sitio mais quente ou o mais frio onde já tivemos, não sei, quero ser apenas tua, tal como quero que continues a ser meu. Mesmo que o Inverno não acabe, que o Verão se faça sentir com grande intensidade, mesmo que o mar continue cheio, e mesmo que o mundo nos vire as costas. Porque mesmo de costas voltadas para o mundo nós conseguimos sair vencedores. Se isto não é amor, então o que é? Hoje fico aqui, sem mais nada a dizer, apenas à espera de alguém que me apagou o lado negro da minha vida.
sábado
Acredito que ainda transporto algumas forças
Em todas as etapas da vida há pelo menos uma em que nos sentimos mais "em cima" que o habitual. O corpo cresce interiormente, a alma não se esconde mas mostra ao mundo que ainda é capaz de sorrir perante as situações... e embora os dias atrás passados, dias de pouca motivação fosse para o que fosse, tenham sido feridas profundas difíceis de tapar, consigo acreditar que os ventos que me trouxeram aos dias de hoje, não são os mesmos que me levaram aos dias de amanhã.
quarta-feira
Cansa-me estar cansada de viver
É tanta a vontade de querer e não conseguir, de olhar e não ver nada à volta, sentir o derradeiro do mundo. É tanta a vontade que eu tenho de seguir em frente com este estado de espírito e conseguir ser como um dia já fui, ocupar este espaço que falta com todas as coisas que um dia já foram minhas. E neste momento amar não me faz feliz. Amar alguém não é o significado de me amar a mim própria. E é disso que eu preciso, de me amar a mim, para depois amar “o outro”. Questiono-me o porquê de a minha vida não ter sentido na minha cabeça e de me fazer deixar de olhar tudo com os meus olhos, os olhos que eu tinha à tempos atrás, usar o método da substituição e conseguir fazer-me ver apenas aquilo que eu preferia nunca ter visto. A vida tem reservado para mim um caminho longo e cansativo, e eu descalcei-me, vesti algo prático e fui atrás dela, tentando ser feliz… e agora, continuo aqui, à espera de um dia acender a luz que me falta.
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