terça-feira

Brother, i love you


São precisas varias forças para nos mantermos firmes, em pé, de cabeça erguida e ter além de tudo uma das forças essenciais, força de vontade. Essa é a que todos os dias te destaco, sublinho-a horas a fio para que me ouças e saibas que o teu mal é o que eu quero lá bem longe. Ainda que assim não me queiras ouvir, eu decidi escrever-te, pelo menos sei que lês. Não preciso de ver a tua cara ao leres todas as minhas palavras, só preciso que dentro de ti saia a pessoa que todos dias chamo de irmão. Quero que vejas que o mundo não vai acabar amanhã, e que neste momento a tua vida está por um fio. Sinto-me inútil, sabes. Gastei todas as forças que tinha para te dar, enfrentei meio mundo por ti, dei-te a mão para que não deixasses que o vento te levasse. Fiz tudo o que podia, e por vezes o que não podia. Mas a verdade é que chego à conclusão: Para quê? Desconheço totalmente a pessoa em quem te tornaste, não me consegues justificar o porquê dessa mudança, e eu não consigo fazer mais por ti. Limpei as mãos de todas as embrulhadas em que te meteste, mesmo assim não consigo sorrir para a minha própria vida. Porque tu és tu, o sangue está lá e aquele bichinho pelo teu bem-estar estará sempre também. Eu sei que agora o que menos queres é que te critique, mas não sei não faze-lo, é isso que eu penso que mereces, visto que de outra maneira não estás a conseguir. Tenho tanto medo desses caminhos que segues, dessas pessoas que conheces sem conhecer, dessa vida madrasta que escolheste para ti. Tenho tanto medo de te perder e de te ver ir não pudendo de modo algum fazer alguma coisa. “Onde é que eu errei, para merecer uma injustiça tão grande destas?” Questiono-me tantas vezes, mesmo sozinha. Não adianta, porque ninguém me irá dar qualquer resposta senão tu, ou até mesmo tu não sabes o que me dizer, escondeste nesse cubículo ao qual chamamos de casa, e fechaste sem nada a dizer, sem nada a adiantar. Gostava que me abrisses a porta do teu coração, pelo menos, que me explicasses as tuas feridas e de como se encontra a tua alma, porque nela eu sinceramente deixei de conseguir tocar. Gostava que fosses para mim o que eras, que me abraçasses com tanta força como quando eu era pequenina, lembraste? Eu preciso de ti aqui, do meu lado, estou parada no tempo, enquanto deveria estar a trocar sorrisos contigo, e a discutir sobre músicas, ou outro assunto nosso. Gostava de te voltar a ter, inteiro, só para mim, metade por metade não me chega.  

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