É estranha a maneira como nestes últimos tempos não consigo sequer escrever uma frase em que as palavras me soam todas bem, em que estejam no seu perfeito encaixe.
segunda-feira
quarta-feira
Tenho medo de aprender a viver sem ti
"Essas pequenas coisas tocam-nos mesmo lá no fundo, parece que ainda perfuram mais o coração."
"O pior é habituarmo-nos a viver com elas."
sábado
A mente não descança
De todas as alturas aquela foi sem duvida a que mais me acalcou o coração. Sangrei de todas as feridas que ainda mal se tinham fechado, senti a minha alma fria como um cubo de gelo… deixei a minha mente naquele lugar, naquelas imagens, naquele tempo, com ele ou sem ele, a minha mente permanecia ali. Eram portas a bater e lá fora estava um frio de congelar a espinha. Tive medo de acender o meu cigarro das 7 da tarde e ainda mais medo tive de o levar à boca. Eram tantas as coisas que estavam a acontecer ao mesmo tempo, que o meu subconsciente não quis aceitar nem metade. Parecia uma luta constante entre o dito pelo não dito. Nada fazia sentido. Dentro de mim estavam restos de fracassos pelos quais me fizeram passar. Eu sentia-me apenas como uma qualquer, não tinha nada, e o pouco que tinha não me pertencia. Era de alguém que antes me ofereceu e não quis voltar para levar. O meu coração encontrava-se partido, como pedaços desfeitos. Mas eu sempre soube que seria assim, desde o princípio. Eu sabia que iria acabar ali sentada naquele chão frio, sem uma mão amiga, e sem uma palavra certeira que me ajudasse no passo seguinte. Eu acabaria ali daquela forma, como ele queria, como ele sempre me quis ver. E lá fora o vento era mais forte que a dureza das minhas janelas, e as portas continuavam a bater, de um modo silencioso mas arruinador…
não é verídico
terça-feira
Corpo sem destino
Não há lógica alguma que me faça perceber quem sou. A palavra “ser humano” não me diz nada, no fundo sou igual e diferente, sou alguém que sente e que traduz o certo e o incerto. Dentro de mim estão agora moradores de outras espécies, estão comigo, e parece-me que é para ficar. Atingiram-me o coração e o calor que a mente não me soube justificar. Deixei-me levar pela baixa auto-estima e fraquejei toda a minha alma aos poucos e poucos. Tentei encorajar-me, mas tornou-se tarde de mais, o meu corpo habituou-se à minha nova forma de viver, àquele cansaço e àquela vontade de me sumir de tudo o que era lado. Após isto, não tive mão nele, mas meteu ele a mão em mim. Guiou-me a partir daquele momento. Passei a acreditar em corpos mortos, feridas por sarar, espíritos malignos e vivências estranhas. Passei a ser uma alma penada, no fundo deixei de conseguir encontrar um sentido certo na minha vida. Porque ele, o meu corpo, não me deixara mais ser a mesma.
segunda-feira
Sabes que é verdade
O nosso problema é não conseguirmos estar longe, não sabemos lidar com a distância que agora se atravessa de maneira maior, de maneira a não me deixar olhar-te nos olhos todos os dias de manhã, como fazia à uma semana atrás. O nosso problema será sempre ter medo de perder o fio à meada, perder o fio que o nosso coração agarrou para nos unir.
Eu desejo-te a toda a hora
De todas as sobras da vida, teve que sobrar para mim uma tristeza imensa, um arrepio tão grande na espinha de alto a baixo, que me impossibilita de resistir a quedas maiores. Este escolheu-me a mim para se refugiar e talvez me trazer parecenças de estado de espírito que eu costumava ter mas que com a força, a sublime força e ajuda da parte de um bem tão preciosa, conseguia sempre levantar a cabeça, por mais baixa que ela quisesse estar. Novos dias aproximam-se e eu temo o pior para mim, para nós. Tu ai, e eu aqui. Como é que posso conformar-me de tal desespero? Conheço casos piores que o nosso, é verdade, mas amor eu estava tão habituada a esse cheiro fresquinho pela manhã. Estava tão habituada a esse “bom dia” doce. Agora tudo me parece estranho, e o mais simples é sempre o mais complicado. Porque tu não vais lá estar para me mostrar a simplicidade. Doer dói, mas sobretudo consome-me o peito e deixa-me marcas terríveis. Uma delas é ver constantemente a minha mão a desunir-se da tua, como que em forma brusca e repentina. Como se nos fossem tirar a vida, ou algo parecido, porque até quando morrer, desejo ir abraçada a ti, para que mesmo lá, tu possas olhar por mim. Este tempo em que vais estar ausente, vou aproveitar para me concentrar na mulher em que me tornaste, abrir os olhos e subir as etapas da vida, como tu me ensinaste. Sempre com imensa saudade, e com beijos desejados. Eu desejo-te a toda a hora. Quero aproveitar também para recompor a tua imagem no meu coração, para quando voltares eu encher-te de felicidade. Motivar-te a sermos mais, e dar-te um recheio de mimos. Porque para mim não há ninguém que saiba amar tão bem, como tu me sabes amar a mim.
sábado
sexta-feira
Vazio profundo
Afogada em lágrimas, procurava-me. Procurava o sentido de viver e a força que me interiorizava. Subitamente o “eu” falava em voz cada vez mais baixa. A razão era algo desconhecida, apenas a sentia na pele. Perante a ajuda do meu próprio instinto – sem nome também – olhei para trás e ao mesmo tempo, como que em câmara lenta, observei na mentes tantos episódios pelos quais já tivera passado. Não queria reconhecer-me. Seria mau demais voltar a “encontrar-me” mesmo sem saber quem fui. A minha memória espalhou-se do resto do meu corpo. Eu era apenas uma alma penada que não queria amar o mundo. Conhecia somente esse meu lado. Era feita de medos, congelada e demasiado pálida. Esfriava sempre o meu coração, não dando hipóteses a terceiros de lhe tocarem. O meu rosto era uma figura desmarcado do presente. Continuava a contar gotas de água caídas dos meus olhos, sentada no chão e sem a mínima vontade de virar a página à minha vida.
segunda-feira
Escondida do mundo
Escondo-me de tudo para não saber quem agora sou, escondo-me para não ser confrontada com equivocos decadentes, escondo-me para não ver no que tudo à minha volta se tornou. Escondo-me para não dizer mais nada, escondo-me não para sentirem a minha falta, mas sim para sentir o quanto sinto a falta de mim mesma.
sábado
Amor doçe
Passado meses ainda consegues dar-me o luxo de te dizer que a palavra “amor” é pouco para definir o que consigo sentir por ti. Tenho do meu lado o coração nas mãos quando falo do assunto que um dia nos uniu, o tal destino. A tal forma que me faz acreditar que o passado pode não ser igual ao futuro. E com ele eu descobri(-te), descobri uma linha cheia de novos sentimentos, cheia de novas cores e formas de estar. Ainda hoje procuro em ti um ponto negativo, visto que no meu passado eu passava o tempo a isolar-me deles. Mas tu, tu és humano e irreal ao mesmo tempo. És alguém que me agarrou de uma maneira acolhedora e diferente. Tu próprio o és, disso eu nunca tive duvidas. E garanto-te que neste momento eu retiro todas as minhas forças para tas dar a ti, para te sentir perto e longe, para te olhar nos olhos e ver como te escorre felicidade dentro deles. Eu só te consigo amar.
quarta-feira
Passado insolente
Fui! Ainda nao acreditava, mas sim, era verdade. Eu fui e tinha em mente outra coisa, uma coisa completamente diferente do que se passou. E o que se passou foi NADA, nao se passou nada! A unica coisa que passou foram os dias, passaram a voar. E foi bom, aliás, muito bom nao ter acontecido nada do que tinha em mente. Eu estava a ser testada, meti-me a mim mesma á prova, e por muito doloroso que tenha sido, eu consegui, arranjei força e resisti. Agora voltei, estou aqui, sem ti, mas feliz
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