segunda-feira

Eu desejo-te a toda a hora


De todas as sobras da vida, teve que sobrar para mim uma tristeza imensa, um arrepio tão grande na espinha de alto a baixo, que me impossibilita de resistir a quedas maiores. Este escolheu-me a mim para se refugiar e talvez me trazer parecenças de estado de espírito que eu costumava ter mas que com a força, a sublime força e ajuda da parte de um bem tão preciosa, conseguia sempre levantar a cabeça, por mais baixa que ela quisesse estar. Novos dias aproximam-se e eu temo o pior para mim, para nós. Tu ai, e eu aqui. Como é que posso conformar-me de tal desespero? Conheço casos piores que o nosso, é verdade, mas amor eu estava tão habituada a esse cheiro fresquinho pela manhã. Estava tão habituada a esse “bom dia” doce. Agora tudo me parece estranho, e o mais simples é sempre o mais complicado. Porque tu não vais lá estar para me mostrar a simplicidade. Doer dói, mas sobretudo consome-me o peito e deixa-me marcas terríveis. Uma delas é ver constantemente a minha mão a desunir-se da tua, como que em forma brusca e repentina. Como se nos fossem tirar a vida, ou algo parecido, porque até quando morrer, desejo ir abraçada a ti, para que mesmo lá, tu possas olhar por mim. Este tempo em que vais estar ausente, vou aproveitar para me concentrar na mulher em que me tornaste, abrir os olhos e subir as etapas da vida, como tu me ensinaste. Sempre com imensa saudade, e com beijos desejados. Eu desejo-te a toda a hora. Quero aproveitar também para recompor a tua imagem no meu coração, para quando voltares eu encher-te de felicidade. Motivar-te a sermos mais, e dar-te um recheio de mimos. Porque para mim não há ninguém que saiba amar tão bem, como tu me sabes amar a mim.

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