terça-feira

Não é certo



Enquanto o tempo vai mudando tenho sempre a sensação que tu também mudas à medida do mesmo, tenho sempre em mente que já não sabes valorizar o que se dá o nome de “amizade”, esta que nos compunha os dias, que nos entregava de bandeja o sorriso. E o meu sempre me soube melhor quando era dado ao teu lado, quando tu me dizias que todas as angustias que sofrera um dia eras tu que lá irias estar para as mandares embora. Eras tu que me soletravas o certo e o incerto, eras tu… eras tu que ao mesmo tempo que me descobrias os traços novos do meu rosto, me aconselhavas a não caminhar sozinha, dando-te sempre a mão, porque tu estarias lá para mim. Mas agora isso mudou, tal como disse no início, o tempo ainda não está certo, tão depressa faz frio, como se descobre o sol, e tu és igual. Tu deixaste que o meu braço caísse porque tu não estavas lá para o segurar, deixaste que a minha vida fosse tão igual a tantas outras, saindo tu dela e deixando-me mais uma vez sozinha. Não é que tenha medo da solidão, mas sabe sempre bem ouvir-te chamar por mim, mesmo que me chames o nome mais esquisito, mas era vindo de ti. E isso mudava-me. Isso fazia-me acreditar que ainda estava no teu coração, e que ainda me conseguias proteger do mal que por ai anda. Eu sei que mãos protectoras e colo acolhedor só mesmo contigo. Sei que por mais pessoas que cheguem à minha vida, será sempre o teu nome que irá cair nas gotas delicadas que me escorrem dos olhos.  

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