segunda-feira

Gosto mesmo de ti B



Por entre rumores desta tão grande memória, deste turbilhão de sentimentos e desavenças, procuro(-nos), com tanta intensidade como a chuva caí. Deixo os meus rastos aqui, para que tu saibas que cá estive, que eu posso não permanecer aqui diariamente mas a alma não morre, e a minha consegue tocar-te, mesmo que não sintas…. Ela distrai-te de um mundo que não queres conhecer. Descalça e sem vontade para me conhecer por dentro, encontro-nos ali, encontro-nos além, de uma maneira ágil e delicada. Sorrimos, choramos, deixamos o tempo passar, sem nos dominar, nós é que o estamos a dominar a ele… ali. Naquelas recordações inigualáveis, naqueles tempos em que o tempo não volta. Naquelas horas em que os minutos são tudo. Lá estamos nós, abrigadas do vento, da chuva, das tempestades que tanto tens medo. Eu estou lá para te ajudar, como se a minha mão não fugisse e a tua me agarrasse com tanta força. São fotografias, e pensamentos, de uns dias bem passados. Mas agora, que entro na realidade vejo o quanto já passou e o quanto me deixaste aqui, ou fui eu que te deixei? Fomos nós que nos deixámos. Ainda que o vento me leve para ti, eu não esqueço a falta que ainda me fazes e o peso que tenho por não conseguir trazer de volta as memórias vivas e apresentáveis. O peso que tenho dentro de mim por o meu passado ser o teu passado, mas o meu presente não ser o teu. Escrevo linhas, contorno imagens, em teu nome. Para que me consigas entender, para que ao pisares o mesmo chão que o meu, sintas que de tudo valeu teres entrado, mas de nada vale teres saído.

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