Só de saber que em tempos o teu coração foi meu, que lá atrás era eu quem o comandava e que o fazia bater mais rápido, desliza dentro de mim todas as forças que nesse tempo queria ter tido para te agarrar, mas neste momento eu tenho-as quando elas não são necessárias. Torna-se tudo confuso ao mesmo tempo que olho para todas as tuas fotografias e vejo como podia ter sido tão feliz contigo. É o que mais me custa. O “podia ter sido”, erros que passam a ser incuráveis. Certamente que são coisas da vida, mas coisas essas que me deixam longe, que me levam todos os membros que me fazem falta para sobreviver neste mundo onde tu não me queres alcançar, agora. Eu deixei-te, deixei-te quando era de mim que precisavas e quando era o meu nome que chamavas em todas as noites que o teu pensamento não fugia de nós. Mas o pior em relação a nós consegue ser esta distância, que não nos consome mas nos desgasta, que afinal nos corre no sangue todos os dias, e a mim faz-me temer o dia de amanhã. Tenho medo que daqui a um mês ou dois, tu já não estejas ai, que tu já não me queiras ver como eu te quero ver a ti, que já nem as minhas palavras te interessem. Sempre me ensinaram que um grande amor requer esforços e lutas, e é contigo que eu estou a aprender a ver as coisas assim… és tu que me levas mais uma vez a saber que há sempre alguém que nos acolhe de maneira diferente, há sempre alguém que nos abraça com uma intensidade mais doce. Sabes, com isto tudo eu aprendi também que o céu não é o limite de ninguém que até lá em cima, podemos estar unidos à pessoa que amamos, e era a ti a quem eu queria estar unida. Era a ti a quem eu queria mostrar todos os limites que o céu não tem. Deixa-me cuidar-te.

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