quinta-feira


Estou agora deitada por entre todas estas paredes brancas do meu quarto, esta cama que me aquece todas noites, e a minha almofada que me ouve quando não estás. Deitei-me para não pensar, para não ouvir, para não ter de enfrentar tudo o que ainda há lá fora contra nós. Mas quero garantir-te antes de tudo que estou a sofrer no meio de todos os pontos negativos que temos, que me parecem muitos. E agora lembro-me de quando te falei em estabilidade e de quando me disseste que me querias dá-la a cem por cento. Onde está ela agora? Escondeste-a, ou levaste-a por hoje? Todas as tuas respostas são pedras frias de aceitar, mesmo quando me dizes que estás bem e eu sinto que é exactamente o contrário. Eu não sou de ferro, nem de aço. Tenho sentimentos e esgoto-os tal como tu. Não me perguntes agora o porquê de te amar, porque sinceramente eu não sei. Não sei se é apenas uma etapa da vida, ou se é mais um desgosto que vou ter; ou um pilar onde me tento segurar durante dias. Não paro para pensar agora, estou sozinha, e não tenho alma nem estômago para isso. Todos os cantos do meu quarto estão vazios sem nós, está tudo pronto para te receber, e será que queres? Será que vens? Preciso de ti para não pensar e agir sozinha. Pensava que sabias disso. Agora estou aqui, e daqui não vou sair. Tenho certezas que me amas mas não tenho certezas que amanhã não me irás deixar. Para ti é tudo um poço sem fundo, para mim é tudo um desejo sem realização prévia. Mas eu sei, eu sei que me estás a ouvir, que estás a ouvir o barulho do teclado do meu computador a escrever para ti. E também sei que o meu respirar te incomoda, pelo facto de me amares. Consigo sentir-me mal, sem que nada me leve a ti. Fiz e desfiz as minhas malas de viagem até ao teu coração, mas de nada me vale. Estou sempre a cair. A minha vida tem sido feita de quedas, de deslizes e de manipulações. Tu cheiras-me a mais uma.

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