terça-feira

Miragens



Passos entre passos, forças interiores que se desgastam em mim, e todas as flores lá fora não são mais do que imaginações de um caminho seguro. Por mais que eu queira é assim… o meu destino traçou-se de uma maneira tão cómoda que se esqueceu que eu também sei andar. Também sei deixá-lo para trás e seguir todas as pisadas de alguém. Este meu coração pode ser pequeno, mas nele tenho até traições de um tempo amarguroso. Nele eu sei que o meu destino não tem sequer direito a respostas, ele foge para que viva sozinho, ao seu ritmo e sem recorrer a pedidos de socorro. Sinto que cá dentro as minhas células ainda vivem, e o meu cérebro ainda se inspira em ti para escrever. Mesmo agora nesta janela, eu olho e descubro mais uma vez que lá fora não me conseguem mentir, tenho um sentido crítico apurado e com auto-estima acima do que pensam de mim. Mas mesmo olhando pela janela, por este duplo vidro que não me deixa sentir o toque suave da tua pele macia, consigo ver-te à minha espera, à espera que o carro pare, e que eu te abrace tão docemente como naquele dia em que o meu coração tremia nervoso por te ter – acreditando sempre que o meu futuro poderia ser entre os teus fortes braços -.

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