Mesmo que o tempo possa voltar atrás eu levo-te junto a mim, levo esse cheiro e essas mãos tão doces quanto a tua calmante voz. O tempo dentro de nós sempre nos encontrou nos abismos da nossa dor, curou-nos as feridas e fez sarar todas as cicatrizes de um passado forte mas ao mesmo tempo inseguro… Abriram-se portas e daí surgiram caminhos, entre portões lascados e com sabor a medo. Oportunidades fechadas e que se abriram à velocidade do que nos unia, do que nos fazia querer uma vida conjunta. Sempre guiámos o tempo, nunca o deixámos guiar-nos, por vezes traiçoeiro, por outras amigo. Ele escondeu-se vezes sem conta à espera de uma força nossa, de um canto acolhedor que nos fizesse lutar contra a maré. Ele sempre foi assim, inesperado mas com vontade de nos ver seguir… por ele eu seria tua à mais tempo, eu sei. Mas a vida, o destino, a filosofia não permitiu que assim fosse, surpreendeu-me assim entregando-me em mãos algo tão precioso como o amor que me dás. Esse que me aperta a mão todos os dias, e não me deixa dar passos em falso, esse que me sopra a cara e me acalma o choro. Que suporta todos os medos por mim, que me levanta de todas as quedas em que participo. Neste tempo que o tempo não se eleva, eu acredito sobretudo na grande magia de um amor inesperado, acredito em nós, como nunca acreditei e fio-me bastante na estrada que me ensinaste a seguir. Está escrita nos teus olhos e no sabor do teu abraço. Escondo-me nela cada vez que não me conheço ou cada vez que não suportas a dor comigo, tu sabes que eu sozinha não sou capaz de andar por ai, conheces-me e ainda assim muitas das vezes não segues ao meu lado. A tua estrada faz o tempo mais rico, mais transparente e extraordinário… eu sigo-a. A noção do visível é sempre maior quando de todos os lados chamam o teu nome, há algo em ti que o meu coração recolhe. Cada vez mais o teu nome vai com o tempo, e volta com a vontade, a vontade que eu tenho sempre de olhar para ti e saber que tu estás ali e és meu.
Adoro!
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