sexta-feira

Ainda me feres


Ainda me sinto com palavras que deviam significar pouco para mim, que simplesmente me deviam passar inteiramente ao lado, e em vez de me levarem abaixo me trouxessem cada vez mais para cima. Sinto-me com as tuas palavras, com aquelas que tu pensas que não ferem. Até as mais pequenas conseguem ferir muito mais. Dentro do meu coração tenho-as coleccionado a todas, guardo-as lá para me lembrar um dia. Não é que seja algo que eu queira manter comigo, não se trata de memórias, trata-se de más recordações. E estas acho que para além de tudo, fazem-nos “crescer” interiormente, são elas que muitas vezes me gritam “- Tu mereces” e outras dizem simplesmente ao meu ouvido “- Não sei o porquê.”. Infelizmente eu fico sem saber para que lado me virar, fico sem pisos altos onde possa subir, restam-se sempre os mais baixos, aqueles onde tu sempre me prometeste que eu não iria ficar. Mas atenção, com isto não estou a querer dizer que deixei de ser feliz contigo. Apenas utilizo a escrita para me exprimir. Para exprimir maior parte das vezes, as angustias, e aquilo que os teus ouvidos nunca irão querer ouvir. Porque fere, fere muito. Por isso prefiro escrever e se algum dia chegares a ler, irás perceber o quanto ainda te amo, e o quanto ainda tenho para te dar. Embora todas estas vezes que me sinto com as tuas palavras mais desagradáveis, eu continuo a dizer com todas as certezas que ao teu lado sinto-me uma mulher. Espero que ao meu te consigas sentir um homem. Acredito que também sofras do mesmo mal que eu, que também ouças muitas e mantenhas o silêncio para não me magoar. Eu sei que sim. Mas meu amor, eu morro de medo da tua ausência, e é por isso que também ajo como tu, permaneço calada. Penso para mim, e fico no meu quanto. Umas vezes acaba por passar, outras vai magoando cada dia mais. Desculpa. E olha: pede ao mundo que nos segure sempre assim, juntos.

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