quarta-feira

Feridas que doem


Sinto-me desmotivada. Tudo à minha volta já não tem um único sentido, começou a ter vários, e eu não sei por onde ir, não sei até que ponto vou conseguir aguentar todo este caminho que ainda me falta. Quero muito chegar até lá, quero muito descobrir o mundo que ainda me espera, que tirar todo este peso da minha cabeça e voltar a ser feliz. Tenho muitas saudades disso, de sorrir a todas as horas e de me olhar no espelho vendo-me eu própria, vendo-me a mim e não tantas outras pessoas. Não tenho palavras claras para explicar cada momento que agora vivo, nada me consegue satisfazer e consigo sentir-me presa a um mundo que não me idealiza. Embora esse mundo seja aquele que eu escolhi, ele agora não tem qualquer sentido dentro de mim. Tenho uma opinião cada vez mais bem formada sobre ele, mas contudo as palavras não são a melhor maneira de me expor, agora. Escrevo mas não sei para quê, deixo páginas em branco de dias que já não me dizem nada, enquanto que antes havia sempre algo de novo. No meio de tudo isto não há quem me faça reagir, não há quem sinta tão bem o meu interior como eu. Deixei de confiar num dos sentimentos mais vantajosos que aos meus olhos existia, deixei de confiar no amor, ele que já me traiu tantas e tantas vezes, ele que já me dificultou a vida durante tempos. Falar no mesmo agora consegue fazer-me tremer, consegue pôr-me a leste pensando em todas as barreiras onde já se encontrou o meu coração. Em todas as lutas que já cai e me levantei, as inúmeras vezes que isso já aconteceu. As marcas que tenho dele, são mais más que boas, e o meu coração superou, mas está cansado. E disso eu não me consigo livrar. Sei que agora resta-me esperar, resta-me esperar por algo que todos os dias sinto que me procura, mas que ainda não veio até mim.

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