Foram tantas e tantas as vezes em que toda a minha atenção era exclusiva para ti. Em que todos os buracos sem fundo se tornavam fáceis de ultrapassar cada vez que me abraçavas com esses teus braços fortes, acompanhados com essas tuas palavras meigas. Foste sem dúvidas nenhumas a pessoa que mais amei em toda a minha vida, foste o começo de um grande amor e o fim de uma desilusão. Não tenho palavras certas para te definir, tens alterações e não és dono de um só adjectivo. Mas acima de tudo soube cuidar-te. Acima de tudo deixaste-me marcas profundas, a maior de todas foi teres agarrado o meu coração como agora mais ninguém o consegue agarrar, talvez por medo da minha parte, talvez por insegurança, não sei. Tenho a firme certeza que todos os minutos, segundos e milésimos que passámos juntos, ninguém mais vai passar comigo, assim. Ninguém mais vai olhar-me de mansinho como fazias cada vez que adormecia no sofá da tua sala, ninguém mais me vai tocar e arrepiar-me como só tu fazias, nem nunca mais ninguém vai comandar a minha vida como eu deixei que a comandasses. Eu sei que sabes tudo isto, e que já to disse vezes sem conta, mas esforço-me todos os dias para não pensar que depois de tudo, ainda te consigo deixar escritas algumas linhas, ainda consiga ocupar metade do meu tempo para ti. A pessoa que menos merece de mim, mas a pessoa que mais de mim teve. Foste como um anjo caído no céu, na nossa altura. Na altura em que eu te amava incondicionalmente, na altura em que os meus ouvidos estavam completamente tapados para todas as opiniões. Tu sabes disso, sabes que mesmo quando dizias que eu não dava nada por nós, mentias… sabes que sempre dei, e dei muito. Talvez mais do que tu. E ficava sempre à espera que me surpreendesses um dia, talvez tenha sido essa esperança que me tenha levado a ir ao teu encontro tantas e tantas vezes. Quero salientar-te que o arrependimento não vive comigo, está bem longe disso,” tudo o que fiz, fiz para ser feliz”, e foi neste pensamento que sempre me baseei, foi nele que muitas das vezes depositava forças que não existiam. Era nele que o meu coração se concentrava cada vez que não havia soluções para problemas em que tu entravas. Eram tantos, perdi-lhes a conta ao terceiro. Foste o bom e o mau de mim, foste o certo e o errado, foste o tudo e o nada. Agora o que mais me agrada é sentir que já não preciso de te ter para ser feliz, já não preciso de me agarrar a ti para sentir que estou segura, perdeste todas as tuas qualidades aos meus olhos, este que só te viam a ti. Mas ainda te tenho como destino de muitas das minhas cartas, pelo facto de contigo me ter sentido (quase) casada. Era esse um dos nossos desejos, pelo menos na altura foi, na altura perguntavas-me vezes sem conta que casaria contigo, e eu sorria-te dizendo-te que sim, o mais seguro sim que dissera até aquele dia. Tinha certezas loucas em relação a ti, e em relação aquilo que desejava para o meu (nosso) futuro. E chego à conclusão que foi tudo um engano, que vivi iludida, não passou tudo de um conto encantado. É disso que mais tenho pena, de termos sido suficientemente fortes e crescidos para começar, e não termos sido suficientemente capazes de lutar contra o fim.

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