Passado traicoeiro

Por entre tudo e todos, sob mais de mil e uma provas que já não valia a pena, ela foi… deixou-se levar, e desinteressou-se por completo da relação que os unia. Passeou sobre o assunto e nem ligou a todas as “bocas” vindas dele, deixou-o entre a espada e a parede, e ele pareceu escolher o caminho mais fácil, ou melhor, o que ele achara mais cómodo. Desligou-se por completo também, pensado ter garantias que ela olhava para trás e voltava, abria os braços e o queria de novo, queria pertencer-lhe de novo, fazer todos os planos de novo, para que daquela vez corresse bem. Mas o passar dos dias trocou-lhe as voltas. Ela ficou no sítio onde residira sempre, e nem os braços descruzou para correr atrás, atrás daquilo que um dia chamou de sua vida. Cansou-se de lutar em vão. Acabara sempre por se magoara em cada ponto. Mas ele nada fez, sempre com a mínima esperança que o regresso estivesse próximo, próximo do tudo e do nada. Afinal os homens também se enganam, e desta vez ele abrira os olhos para a realidade, ao mesmo tempo que vira ter perdido tudo, até de controlar todos os passos dela. Com tanta vivência que ele tinha, naquela altura não se viu nada, nem mesmo a maturidade que dizia ter. Então para quê dizer que se ama, quando afinal o coração quer outro tipo de vida? O objectivo dele sempre foi prende-la, prende-la até ao máximo dos máximos. Era tudo muito subjectivo, o vento corria para o lado contrário, e as pessoas eram completamente frustradas. Ela cansada de dizer chega e voltar sempre atrás, com todas as meiguices dele, resolveu-se, parou por ali, deixou tudo em “pratos limpos”, não da maneira mais correcta, mas se ele nunca fora correcto com ela, porquê ela sê-lo com ele?! Deixou-lhe apenas uma mensagem, uma mensagem relativa, e com poucos argumentos, apenas algo que lhe mostrasse a palavra “acabou”, palavra essa que ele nunca entendera. Apagou o número, fechou os olhos e sentiu-se novamente “em casa”, na vida que ela nunca quis deixar para trás. Era mais um sacrifício que ele teve que fazer para pegar no telemóvel e ler, depois de ter lido tudo até ao fim, ligou-lhe, vezes sem conta (...) chamadas desligadas, olhares desviados, risos sem provações, risos espontâneos… ela deixou-lhe todas essas marcas, dias depois, para que ele nunca se esquecera que um dia lhe tocou, que um dia a amou, ou a tentou a amar.
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