domingo
“Não tenho palavras”
É a única frase que uso repetidamente para ti, e sobre nós. É mesmo essa mesma frase que me deixa algumas partes de mim mesma, satisfeitas, pois com ela digo tudo, com ela demonstro que ao me calares, ao me deixares sem resposta estás a acolher-me no meio dos teus braços, e de uma maneira doce, independentemente do que escreves, basta os meus olhos conseguirem olhar-te através de todas as tuas palavras – mesmo poucas – para me sentir realizada, de certo modo. E acredita que já à alguns dias que já não me sentia assim, à alguns dias que me deixavas sem restos de nada, deixavas-me completamente distorcida na esperança que me viesses fazer companhia em algumas tardes onde me encontrava sozinha, mas como já era de esperar, fazia-lo, mas não deixavas de demonstrar que estavas mal. Afinal não somos de ferro, e tu não és excepção, por vezes damo-nos a conhecer mais facilmente em determinadas alturas e mais dificilmente noutras. É como te digo o amor é lixado. Os altos e baixos ocorrem sem termos uma mínima noção muitas das vezes do porquê, e connosco as coisas funcionam por vezes assim, por vezes sou eu, outras és tu. E assim começo a concordar contigo, quando dizes que merecemos muito melhor do que aquilo que temos, e realmente discutir tornou-se um elemento essencial no nosso dia-a-dia. Com muita pena minha, merecemos sinceramente muito melhor, muito melhor por termos um grande amor diferente de todos aqueles que vimos passar na rua. Digo-te mais, este fim-de-semana apertava-me o coração com medo de não vires, com medo de me deixares assim, e de me ouvires de uma maneira pouco razoável, porque sei que estavas sempre com a cabeça noutro lugar. Mas surpreendeste-me, tal como dizes que também te surpreendi a ti. A única diferença é que tu surpreendeste-me pela maneira como reagiste às situações, e eu surpreendi-te pela maneira como fiz as coisas. Tudo isto me levou a perder o medo de te amar de uma maneira elevada, de uma maneira sem limites, onde nada consigo fazer para que o meu coração pare de acelerar por ti. Porém, poupei-o (ao meu coração), deixei-o descansar de um a maneira onde eu possa descansar também. Levo-o para onde quer que eu vá, e nele tu entras a mais do que cem por cento. Mesmo que não acredites. E se eu agora mudar o assunto, e te disser que ainda tenho nas minhas mãos de pele macia, teu cheiro, o cheiro da pessoa que tu não pintas, mas que tu és, passas a acreditar em mim? Foi tudo o que me restou de uma grande noite a dois, em minha casa, onde me deixas-te marcas grandes, onde jamais te iria difamar mas sim entreguei-te mais uma vez algumas palavras que indirectamente te mostraram o quanto sinto a tua falta cada vez que insistes em te afastar. Lembra-te que te amo e que sem sombra de dúvidas quero ser sempre o motivo pelo qual sorris.
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