Não te vou dizer que me parece confuso tudo o que vivi e tudo o que estou a viver agora, porque não é isso que sinto, apenas me sinto mais estável agora, desde que me “tiraste” do fundo em que me encontras-te. Tudo me deixou marcas, noites em que chorei por um amor, querendo-o saudável e em que só eu lutava, e me ruía por dentro quando algo falhava. Lenços que gastei por ausência da pessoa que nunca quis trocar, acontecesse o que acontecesse. Era ele, e foi ele do princípio ao fim da história. Se te disser que hoje já nada me custa, que hoje já consigo enfrentar o passado de uma maneira pouco aterrorizante, estaria a mentir. Ainda me dá ânsias pensar que fui um alvo nas mãos de alguém, e que era a esse a alguém que eu chamava de meu futuro marido, e que constantemente o desejava comigo na cama, todas as noites que o frio apertava. Fazia-me falta até para as minhas pernas se mexerem. Dava-me vida, com ou sem defeitos, era ele. Para mim a dimensão pública do meu amor por ele matou a minha vontade e o medo tomou conta do meu coração para sempre. Mas tu de uma maneira ou de outra ganhaste-me o coração, fechaste-o e guardaste-o para ti, até hoje. A ti te agradeço por isso. Não por agradecer, mas sim por seres muitas das vezes a força que me ajuda a levantar do espaço vazio onde me encontro, e onde me dá vontade de estar durante horas, só eu e as recordações de um pretérito pouco perfeito. Do qual já nem me deveria lembrar que o vivi, mas eu não gosto de ser igual a tantas mulheres que pensam de uma maneira vulgar. Que depois de terem terminado os laços, esquecem e tentam apagar marcas que de algum modo são duras de extinguir. Comigo nada funciona assim. Tudo me marca, principalmente as pequenas coisas da vida. Ligo muito a coisas que me façam crescer e que me deixam ver o mundo com “outros olhos”. E tudo isto é uma dessas más fases da vida, - que mais nos obrigam a procurar uma saída -. E a minha saída foste e és tu. Mesmo que a minha parte interior ainda sofra por algo que não durou o tempo que eu destinei, mesmo que eu ainda dê voltas na cama à procura de soluções para um futuro melhor; de ti é impossível de me esquecer. Vou pensando em ti e em nós cada vez mais vezes, embora te mentisse se dissesse que duvido de nós várias vezes – lições do passado -. As coisas mais insignificantes trazem-me a tua imagem. E são muitas as vezes que essa imagem me conforta por dentro, deixando-me sozinha a imaginar a minha vida contigo. Aquela que eu sempre quis para mim.

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