quinta-feira

Ainda não consigo pintar-te da maneira que queria, do jeito que fazia a minha cabeça não te relembrar nos momentos em que me encontro sem nada para fazer, queria que ela olhasse para ti tão igual ao meu coração. Gostava apenas que ambos estivessem de acordo, e que se esquecessem de se lembrarem de ti, mas não só por breves momentos, mas sim para sempre. Não quero alimentar-me de lágrimas cada vez que retrato momentos nossos, ou cada vez que vejo uma expressão tua em alguém. Queria seguir sem contratempos, e sem factos por argumentar; afinal nunca ninguém me disse que era fácil, eu é que preferi acreditar que era, ou seja enganava o meu coração. Nos primeiros tempos sentia-o bem enganado e seguro que tudo ia correr bem, mas parece que voltas-te, que voltas-te à minha cabeça e à frequente conversa de sempre… O que mudou fomos nós, foste tu e eu. E eu consegui finalmente dizer-te que o meu bem-estar agora estava melhor que nunca, que deixei mesmo de frequentar o sitio onde nos conhecemos, afastando-me também das palavras que dizias, e do teu nome inclusive. Não duvides.
- Tenho saudades tuas.
- Saudades? O que é isso para ti?
- Sim. É o sentimento que mais me tem levado abaixo.
- Estranho… só disseste isso uma vez em toda a nossa relação, e foi quando eu estava no Algarve e tu a saíres com outra. O que estarás a planear desta vez?
- Juro-te que nada. Eu amo-te, continuas a ser a minha mulher.
- Que mentira! És tão imprudente.
- Louco, imprudente, teimoso, tudo o que quiseres. Mas se eu soubesse que te amava assim tanto, nunca te teria deixado fugir.
- O amor não é como o fazes. Ele sente-se, falta saber é se alguma vez o sentiste.
- Por ti? Senti, juro que senti.
- Chega! Não me enganes mais, sai…

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